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Mulheres em Travessia - Coletânea

  • Foto do escritor: Isabella de Andrade
    Isabella de Andrade
  • 14 de jul.
  • 4 min de leitura

Fico muito feliz em dizer que tem um livro novo vindo em 2026. Ainda não é um novo romance, mas uma coletânea com Elas na Escrita, em parceria com a querida Diadorim Editora: Mulheres em Travessia. O livro foi organizado por mim e por María Elena Morán e reúne 18 escritoras de diferentes cidades e regiões do país.


Ainda que não seja perfeito, tentamos criar um recorte diverso, passando pelo norte, sul, sudeste, nordeste e centro-oeste. O tema não poderia ser outro, senão os territórios e travessias que tanto influenciam a escrita e o processo criativo de diferentes escritoras, assim como tem influenciado o meu.


Deixo aqui o link para comprar o livro, caso você não chegue até o fim do texto:





Esse tema me buscou durante os últimos meses sem que eu tivesse planejado. Apesar de gravar os episódios do podcast em um estúdio em São Paulo, comecei a perceber que a cada episódio eu reunia mulheres de lugares diferentes. Muitas delas, assim como eu, migraram de suas cidades em busca do movimento, do trabalho, da literatura, da criação, do futuro e das oportunidades na cidade grande.


Juntas, começamos a perceber o quanto essa mudança de local também nos modifica, mexendo com as estruturas internas e colocando o corpo na mesma intensidade de movimento que as distâncias atravessadas. Em episódios que passavam por temáticas totalmente diversas, em algum momento o tema surgia.


A cidade de origem, as raízes, a mudança, a saudade, os desejos antigos misturados aos novos, as paisagens que se modificavam e despertavam percepções novas, os cheiros que voltavam a cada viagem.


Decidi que esse seria o tema da coletânea, que não poderia ser outro, ele me buscava. A relação com os lugares de origem tem me perseguido desde que me mudei para São Paulo. Primeiro, em Baixo Paraíso, quando o cerrado e o centro-oeste tomaram conta da minha escrita de tal forma que se tornaram protagonistas do livro.





A distância me fez sentir um pertencimento que jamais havia sentido antes, como se eu precisasse lembrar a mim mesma os meus lugares de partida, como se sair acendesse uma luz interna me fazendo entender que eu pertencia a este ou aquele lugar.


E ainda assim, atravessamos. Seguimos em movimento, ocupamos nossas novas cidades, criamos outras memórias. E a escrita muda também, seguindo o fluxo da nossa própria mudança. Não sou a mesma que era quando vivia em Brasília, acostumada a viver, desde sempre, entre a secura e as linhas retas e bem planejadas.


Assim como tenho certeza de que cada autora dessa coletânea já não é a mesma de quando vivia na Bahia, ou no Rio Grande do Sul, no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Venezuela, Paraná. A paisagem nos modifica e modifica o que criamos.


Acho isso incrível.


E por isso lançar a coletânea tem me feito tão feliz. Cada escritora entendeu, escreveu e desenvolveu a temática à sua própria maneira, mostrando o quanto a perspectiva pessoal influencia no que criamos. A coletânea, aliás, vai ser lançada na FLIP, em Paraty, um território de encontro (ainda que entre amores e ódios) para tantas pessoas que também amam a literatura.




FLIP - amores e ódios


Ano passado não fui para a FLIP. Foi, aliás, a primeira vez que decidi não ir desde o ano em que comecei, lá nos idos de 2018. De lá pra cá muita coisa mudou. Em 2018 fui pela primeira vez para conhecer e passear como leitora. Ainda morava em Brasília, peguei um avião para o Rio de Janeiro e de lá um ônibus atrasado (essa ida rende uma newsletter à parte).


Lembro de ter me divertido muito e fiquei maravilhada com a quantidade de casas, lançamentos, bate-papos, livros e lugares para conhecer. Em 2019, com um livro novo saindo pela Patuá, fui pela primeira vez como escritora e participei também de uma coletânea que a editora lançava por lá.


Depois veio o hiato da pandemia, seguido de algumas FLIPs em datas diferentes, passando pela época quente e chuvosa do fim de ano, o que rendeu alguns momentos caóticos, como a fatídica FLIP do apagão.


Depois de conhecer melhor as pessoas e o tal mercado literário, entendi que a festa é também elitista, que as pousadas cobram preços caríssimos, que os mesmos autores costumam rodar por boa parte da programação e que há muita gente que acabe optando por não ir justamente por conta de seus poréns.


Mas, no fim das contas, eu gosto da FLIP. gosto da atmosfera de misturar livros e festas, literatura e Jorge Amado, praias, drinks, mesas, bate-papos, autores incríveis e muitos amigos e colegas que fiz pelos caminhos da escrita.


Gosto de esquecer um pouco dos problemas do dia a dia, dos perrengues do trabalho, das preocupações da cabeça e de tudo o mais que me envolve fora da festa e, naqueles dias, gosto de fingir que vivo uma espécie de utopia literária, sem picuinhas (rs) e com uma quantidade tremenda de memória acumulada em três ou quatro dias.


A sobrecarga mental, de trabalho, de tarefas e entregas é grande nos dias normais, meus amigos e eu gosto sim de me permitir meus escapes.



Se você ainda não garantiu seu exemplar da coletânea, compre aqui:




Autoras da Coletânea:


Maria Elena Morán (Venezuela)


Bethânia Pires (Pernambuco)


Eveline Sin (Rio Grande do Norte)


Jô Freitas (Bahia)


Renata Belmonte (Bahia)


Isabella de Andrade (Distritro Federal)


Andressa Marques (Distrito Federal)


Paloma Franca Amorim (Pará)


Mar Becker (Rio Grande do Sul)


Rafaela Riera (Paraná)


Taiane Martins (Rio Grande do Sul)


Paula Maria (Espírito Santo)


Carina Bacelar (Rio de Janeiro)


Jana Viscardi (São Paulo)


Lilia Guerra (São Paulo)


Elizandra Souza (São Paulo)


Julia da Silva Moreira (São Paulo)


Maria Carolina Casati (São Paulo)




Texto de apresentação:


Dia Bárbara Nobre (Ceará)

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