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Calado
- Isabella de Andrade
- 6 de mar. de 2015
- 1 min de leitura
O tempo anda mais calado. Dias antes, me pegava pelos cabelos fazendo festa e me punha a rodopiar entre saltos enquanto tocava toda a sorte de instrumentos musicais. Era gordinho e meio rosado, tocava batuques pelo meu quintal. Mas calou-se, envergonhado. Tornou-se tímido pela incapacidade de não me tomar os dias nem jogar fora algumas antigas verdades. Está calado o tempo. Talvez endividado. Dia desses chamei-o pelo nome, gritei e lhe peguei pelos braços – que aliás andam ossudos e opacos – Perguntei-lhe o sentido das horas, o gosto dos anos, o rebolado das passagens. Respondeu-me com os olhos fechados que prestasse, eu, atenção aos intervalos. Anda mais calado o tempo. Entre esse e outro dia, anda calado.

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