Inteiro
- Isabella de Andrade
- 28 de jun. de 2015
- 1 min de leitura
Aprendi então a desencontrar-me
E levar o tempo a rir-me
da própria antiga ideia abandonada.
Não valem os dias uma seriedade qualquer
Não valem os dias seriedade nenhuma. Há uma espécie de prece reservada
Aos namorados que juntos tomam café
Às moças que bordam a beira da saia
E aos meninos que sempre sujam o pé.
E mais que tudo a quem respira
O próprio aconchego e toca
O próprio toque e sente
A sensação da própria pele. Há uma espécie de prece reservada
Aos caminhantes sós que entre suspiros
E silêncios sorrateiros e olhares corriqueiros
E sorrisos de todo arteiros,
redescobrem que a dor do mundo
é a necessidade do ser algo ao outro e mais ainda,
a necessidade do inteiro. O sabor inexplicável, inesgotável
De tudo, lhes juro,
É desencontrar-se ao abandonar
O próprio inteiro.

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